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Relações líquidas, comportamento e sustentabilidade

Relações líquidas é uma ideia do sociólogo polonês Zygmunt Bauman que utiliza a metáfora dos estados físicos das substâncias para pensar as relações sociais.

Para entender a complexidade do assunto é preciso entender como o autor pensa o próprio conceito de modernidade.

O início da modernidade, não tem começo ou data exata, mas as ciências humanas entendem que o marco que rompeu com o Antigo Regime e a Idade Média para inaugurar os tempos modernos foram a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, que possuem em comum o fato de terem rompido com as estruturas estabelecidas naquelas sociedades.

Assim, a modernidade surge com o caráter de diluição das estruturas políticas, sociais, econômicas e culturais. É nesse sentido que também Marx, referindo-se a ela empregou a famosa frase “tudo que é sólido se desmancha no ar”.

A liquidez é então uma metáfora que representa a característica das relações e estruturas serem efêmeras e instáveis, incapazes de manterem uma forma, e a partir dessa ideia Bauman elabora sua ideia de modernidade líquida, medo líquido e amor líquido.

Essas relações líquidas, segundo Bauman, teriam origem com uma nova economia inaugurada pela modernidade baseada em uma cultura do consumo, pois as relações sociais passam a imitar o modelo das relações de produção. As pessoas transformam-se em produtos, e como esses, elas também passam a ser descartáveis.

Nesse sentido é que o autor pensa as relações sociais como líquidas, observando que os relacionamentos começam e terminam com uma rápida velocidade, não é atoa número de divórcios crescem a cada ano, cada vez mais por motivos que antes não eram suficientes para uma separação. Observamos também que palavras como amor e amizade assumiram outros significados, e que frases como até que a morte nos separe estão em desuso.

As redes sociais funcionam então como vitrines, e a vida pessoal se tornou um objeto de consumo. E esse modelo que criamos para nossas relações já estão se mostrando insustentáveis, a cultura do cancelamento, a ansiedade, a solidão e a insegurança são alguns dos resultados dela. A lógica das redes sociais tem se mostrado nociva para os relacionamentos, e para nossa própria saúde mental.

O que nos faz perguntar sobre a própria sustentabilidade desse modelo que criamos.

Mas afinal, o que é sustentabilidade?

Sustentabilidade é a capacidade de utilizarmos os recursos disponíveis de maneira a não comprometer suas existências no futuro, mas ele também pode ser aplicado às relações, será que será possível mantermos sustentável relações aonde não estamos nos relacionando com pessoas, e sim com produtos, objetificando a vida pessoal e momentos que são esvaziados na realidade em pró de alguns likes?

É explicável porquê as pessoas estão cada vez mais ansiosas e inseguras e também cada vez menos autênticas.

Acredito que “consciência” termo que já vem sendo discutido por muitos autores, vá ganhar destaque cada vez mais, por buscar oferecer mecanismos de ajuste das nossas relações, modelo de economia e forma de lidar com o ambiente.

Perguntas que nos podemos fazer:

  • Como posso me relacionar com as redes digitais de maneira mais consciente?

  • Como posso consumir de maneira mais consciente?

  • Como posso utilizar o meu tempo, meus talentos e habilidades de maneira mais consciente?

Essas respostas podem nos ajudar tornarem sustentáveis as nossas relações com os outros, com o planeta e com nós mesmos.

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